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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma pedrinha no caminho .....

É neste espaço que sinto vontade de colocar algumas das  vivências e constatações do que acontece comigo por lá. Hoje no final da aula descobri que roubaram um carregador do meu som que serve para carregar celular. Na hora eu já saquei quem foi. 
Meu primeiro sentimento foi de  dar um castigo neles e  passar um tempo sem ir lá . Dá uma sensação de desamor , de que por mais que eu faça por eles  , eles não  me consideram. Mas não é nada disso .
Depois fui pensando  no menino que eu suponho tenha feito isso e senti muita pena . Porque percebi que ele não estava bem hoje e tenho achado que ele está meio enciumado  quando  elogio os outros. 
Uma coisa muito forte  nestes meninos é se vêem sempre  como infratores. Pois o reforço pra eles é sempre negativo . Só o meu reforço positivo tem que ser repetido muitas vezes para fazer um efeito .
Lógico que dá raiva , mas como já falei aqui no ceduc a dança é de 2 passos pra frente e 1 passo pra trás.  Mas eu  sempre soube  que dançaria desta forma e é assim que vai ser . Quarta feira vou ter uma conversa com eles , falar do que sinto e ver como evolui.

domingo, 17 de julho de 2011

São João no Semi Liberdade






Alguns alunos meus saem do CEDUC-PITIMBU e vão cumprir a medida  de Semi -Liberdade . e aí eu fico os acompanhando  e  procurando notícias . tentando ajudar .
Duas pessoas maravilhosas conheci lá que são TOMAZIA  a diretora e OZINETE assistente social . Totalmente comprometidas com a recuperação dos adolescentes .

Eles Gostam da Coroa

Vou contar rapidamente uma  história engraçada que ocorreu semana passada .
Quando termino a  oficina de pintura sempre dou uma passadinha nos pavilhões pra conversar com os meninos pois mesmo os que não são meu alunos ficam gritando pra conversar comigo . Daí  trago roupas deles pra costurar , pra repintar as que estão estragadas , pedem pra comprar papel para eles fazerrem  artesanato , pedem   jogos de video game . E todos pedem pra serem meus alunos . Aí eu e Rose estávamos  conversando e um menino  num pavilhão vizinho ao que eu estava conversando pediu pra ir pro curso;
Daí Rose Perguntou : - Você tem treta (na linguagem deles significa inimizade ) com algum menino que está no curso ?
E ele responde : - Dona Rose alí naquele curso tem  muito menino inimigo .
- Dona Rose  os meninos ficam quietos porque eles  GOSTAM DA COROA . (resultado a coroa sou eu  hahahahahaha ) . Ai falei pra Rose  brincando : - Se me chamou de coroa não pode ir pro curso .... hahahah

O que acontece no curso é que eles entenderam que é ótimo estar alí fazendo alguma coisa , então tem o próprio código de ética em que não fazem confusão quando estão comigo , respeitam a minha presença . Mas isso é uma coisa já estamos conquistando para o CEDUC inteiro . Mostro a eles que se não brigarem quando saem dos pavilhões , mas  tempo terão  fora deles . E tenho certeza que com um pouco mais de luta conseguiremos transformar  muita coisa lá para o bem .

sábado, 9 de julho de 2011

Mais uma experiência emocionante


Antes do antigo diretor Pedro sair do CEDUC , ele havia me pedido pra trabalhar com um menino bastante difícil lá dentro . Ele falou que achava que as oportunidades deveriam ser dadas a quem não tinha realmente nenhuma perspectiva . Adorei a idéia , só que eu teria que trabalhar  sozinha com ele por causa dos inúmeros inimigos que ele tem lá dentro. Eu propus então que fizéssemos um trabalho diferente  , com carvão e telas . Então eu fui me apresentar a ele e falar que iríamos fazer um trabalho de artes . Ele falou que não sabia fazer nada disto . Mas quando falei que iríamos trabalhar sozinhos ele aceitou . E aí falei com a FUNDAC que trabalhando como voluntária gostaria que eles fornecessem o material para eu trabalhar com ele .  Demorei a passar a lista  e o menino estava ficando impaciente , então resolvi comprar  para começar e depois , quando o Governo do Estado providenciar me repõe. Então quarta feira dia 06/07/11 fui  mais cedo pro CEDUC , antes de pegar a minha turma , desci somente ele  para nossa primeira aula. Ele veio muito educado e afirmando que não sabia fazer isso . Enquanto pintava  começamos a conversar . Perguntei quantos anos  tinha  , (15 anos, e disse que estava preso desde os 13) , Achei ele extremamente triste e falei que o achava triste , ( falou que havia brigado com a mãe , que é a avozinha que o criou , e que havia dito pra ela não o visitar mais. E sempre que lembrava queria chorar ). Só sei que todos me falavam que ele era muito difícil e não se abria com ninguém . Enquanto  pintava  conseguiu expressar que queria ter mais dias de aula comigo , pediu pra pintar Padre Cícero .  Disse  que a psicóloga queria vê-lo , e ele respondeu que não queria ir porque não ia sair tão cedo de lá e  não adiantava nada . Não forcei , mas  no final da aula resolveu  ir ver a psicóloga e conseguiu se abrir com ela.
Fiquei com muita pena dele. Uma carência e tristeza enormes. Imagine um menino preso na idade em que nós mães ainda mandamos nossos filhos tomar banho , fazer dever , comer direito . E todas as outras coisas  para educar um ser humano. Percebi que a agressividade dele é um pedido de socorro . Ele não se  enxerga como alguém que se encaixa  nesse mundo normal , de gente de bem. Ele se vê como as pessoas o vêem , alguém que não tem nada a ganhar e realmente nada a perder . Como reconstruir alguém que não tem pra onde olhar ? Vocês não tem idéia de como um abraço faz diferença num local como este . Ele grita quando quer ser amado , repele quando quer  aproximar .
Pois bem , sigo eu , mais uma vez como o beija-flor no incêndio da floresta . Faço pouco , mas esse pouco é o que vou conseguindo .

ACIMA  O PRIMEIRO TRABALHO FEITO NA 1ª AULA . SERÁ QUE NÃO DÁ PRA PERCEBER A FRAGILIDADE DESTA ALMA NA FLUIDEZ  DA AQUARELA ?  (não meço aqui o crime que ele cometeu , na realidade não quis nem saber muito , mas percebo que sua fragilidade o transformou no que ele é hoje )

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Visitei a casa de alguns Meninos


Neste sábado dia 02 de julho , fui  juntamente com Rose , ver 2 meninos que foram libertos do CEDUC  em suas casas . Como eu havia tirado fotos deles , quando revelei já haviam saído , então eu fui lá entregar .  Um deles havia saído de casa  , mas estive com a mãe e a avó dele . Um rapaz  alto e bonito de 16 anos .  Tá lá em casa sem estudar , dorme até tarde , as escolas em greve  e tá lá esse menino no ócio , sem nenhum apoio pra segurar a onda dele pra não voltar a aprontar . Conversando com a mãe , ela contou que ele  se meteu numa confusão com um monte de rapazes maiores de idade  e aí quando a polícia pegou , fugiram todos e deixaram ele  na LARANJADA   ( é como eles chamam os meninos de menor que assumem ou caem no crime no lugar dos adultos ) . Agora vamos ver aonde vai se encaminhar este  que recebeu a minha primeira visita do sábado.  
Depois fui ver outro que estava lá me esperando . Este  da segunda visita é muito querido . Mora numa casa muito humilde com a mãe e o padrasto . A mãe com uma filhinha de 3 anos , não trabalha e só o marido põe dinheiro em casa . Este menino  começou a usar  maconha , depois cocaína e daí fazer coisas pra sustentar o vício.  Ao ficar no CEDUC  , sem usar drogas , e em contato com o curso , vi que se ele tiver apoio não volta pras drogas . Tá em casa  bem quieto e  rezando pra conseguir um emprego. Ele é mais um menino que pretendo ajudar . Vou começar a ver um curso para ele se profissionalizar e depois conseguir um emprego . Ele é que sempre ficava comigo no final do curso controlando estoque e guardando tudo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

VAMOS PRA CAICÓ

Rose  que é uma educadora lá do CEDUC-PITIMBU , e que me ajuda muito , fez uns contatos e vamos para a festa de Caicó expor as blusas dos meninos juntamente com os trabalhos do CEDUC de Caicó , com o apoio em Caicó de Pereira que é diretor do ceduc de lá . Estamos a todo vapor pintando Blusas com a imagem de Sant'ana , do pórtico de caicó e de uma casarão que tem lá . Os meninos estão bem empenhados no trabalho . E nos dias em que não estou lá deixo os nomes dos que tem autonomia de trabalhar sem mim . E assim eles estão ocupando o seu tempo trabalhando e ficando fora de seus pavilhões ( não chamam mais de pavilhão as celas que eles ficam , agora tem um nome mais bonito , mas ainda não aprendi) . Mas do que a importância da pintura das blusas , das vendas , acho importantíssimo trabalhar o ócio em que eles vivem . Aí é  que está a grande chave para uma vida e um convívio melhor lá dentro. Ocupando suas cabeças .