Resolvi escrever um pouquinho de quando comecei a fazer o trabalho no CEDUC .
Em Junho de 2010 .
Eu não sabia realmente o que ia encontrar lá . Se os meninos estariam disponíveis pra pintar e se dedicar a uma atividade com respeito . E foi exatamente isso que aconteceu . E a cada dia eu me encantava mais nessa relação , principalmente de afeto com aqueles adolescentes , que por inúmeras circunstâncias aprontaram e foram parar alí . Percebi claramente que eles correspondiam com muito respeito ao carinho que eu lhes dava .
E nessa troca fui construindo um respeito e uma fidelidade deles .
Aí comecei aquela coisa de quando agente fica empolgada com uma coisa e sai contando a todos os amigos ..... eu falava nos meus meninos aonde eu ia .
E nessas conversas ouvi duas coisas que não esqueci até hoje:
*Uma amiga quando ouviu eu falar dos meninos me contou uma fábula que havia ouvido no Jô Soares . "Que um senhor cuidou de um elefante ferido com toda dedicação e que ele se recuperou e voltou pra manada , aí num estouro dessa manada o elefante viu o cuidador , olhou ele nos olhos e o esmagou ." Que tal ..?. grande incentivo né ? Mas esse não é o mundo que enxergo ... Eu realmente vejo o mundo com outras cores .
* E o outro caso foi que estava vendendo as camisetas deles e contando suas histórias . E o marido de uma amiga calado escutando . E daí depois que o assunto havia morrido ele se virou bem irônico e disse - Legal Lídia , depois que você faz o trabalho com esses meninos e eles vão pra rua , nós os pegamos de volta . (tipo assim , ninguém se recupera ) . Ele tem alguma ligação com a polícia .
Eu vi que ao tratá-los com carinho e respeito eles correspondiam muito bem . E daí fiquei tentando descobrir quem gostaria de mudar de vida e daí tentando apoiá-los aqui fora . Minha luta é meio solitária , mas sinto que já estou conseguindo juntar uns adeptos nesse apoio aos meninos aqui fora . Penso que quantos forem que eu consiga tirar do crime , já valeu o meu amor . E sinto que essa rede só tende a crescer .
Percebo que muitos deles não sabem se ver como cidadãos de bem . Só se vêem como "____________ " (não sei nem que nome colocar) . E eles sentem que a sociedade não consegue vê-los como reabilitados . E aí lembrando que são adolescentes como qualquer outro.
E tenho tido contato com alguns meninos e muito feliz por vê-los batalhando por serem pessoas de bem ....
Tem um aluno meu que fugiu e há 10 dias chegou lá com a mãe e se entregou . Ele disse a mim que quer trabalhar , ficar numa boa e resolveu terminar de cumprir a pena pra sair limpo pra recomeçar .
É isso aí , por hoje é só e assim a cada pequena atitude deles , me encho de esperança e consciência do poder de transformação da arte e do amor .