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segunda-feira, 11 de abril de 2011

"AMAR ... DAR TUDO ... NÃO TER MEDO ... TOCAR " Caetano Veloso

Resolvi escrever um pouquinho  de quando comecei a fazer o trabalho no CEDUC . 
Em Junho de 2010 .
Eu não sabia realmente  o que ia encontrar lá . Se os meninos estariam disponíveis pra pintar e se dedicar a uma atividade  com  respeito .  E foi exatamente isso que aconteceu . E a cada dia eu me encantava mais  nessa relação , principalmente de afeto com aqueles adolescentes , que por inúmeras circunstâncias  aprontaram e foram parar alí . Percebi  claramente que eles correspondiam com muito respeito ao carinho que eu lhes dava . 
E nessa troca fui construindo um respeito e uma fidelidade deles .
Aí comecei aquela coisa de quando agente fica empolgada com uma coisa e sai contando a todos os amigos ..... eu falava nos meus meninos aonde eu  ia . 
E nessas conversas ouvi duas coisas que não esqueci até hoje:
*Uma amiga quando ouviu eu falar dos meninos me contou uma fábula que havia ouvido no Jô Soares . "Que um senhor cuidou de um elefante ferido com toda dedicação e que  ele se recuperou e voltou pra manada , aí num estouro dessa manada o elefante  viu o cuidador , olhou ele nos olhos e o esmagou ." Que tal ..?. grande incentivo né ?  Mas esse não é o mundo que enxergo ... Eu realmente vejo o mundo com outras cores .
* E o outro caso foi que estava vendendo as camisetas deles e contando suas histórias . E  o marido de uma amiga calado escutando . E daí depois que o assunto havia morrido  ele se virou bem irônico e disse - Legal Lídia , depois que você faz o trabalho com esses meninos  e eles vão pra rua , nós os pegamos de volta . (tipo assim , ninguém se recupera ) . Ele tem alguma ligação com a polícia .
Eu vi que  ao tratá-los com carinho e respeito eles correspondiam muito bem . E daí fiquei tentando descobrir quem gostaria de mudar de vida  e daí tentando apoiá-los aqui fora . Minha luta é meio solitária , mas sinto que já estou conseguindo juntar uns adeptos  nesse apoio aos meninos aqui fora . Penso que  quantos forem  que eu consiga tirar do crime , já valeu o meu amor . E sinto que essa rede só tende a crescer .
Percebo que muitos deles  não sabem se ver como  cidadãos de bem . Só se vêem como  "____________ " (não sei nem que nome colocar) . E eles sentem que a sociedade não consegue vê-los  como reabilitados . E aí  lembrando que são adolescentes  como qualquer outro.

E tenho tido contato com alguns meninos  e muito feliz por vê-los batalhando por serem pessoas de bem ....

Tem um aluno meu que fugiu  e há 10 dias chegou lá com a mãe e se entregou . Ele disse a mim que quer trabalhar , ficar numa boa e resolveu terminar de cumprir a pena  pra sair limpo pra recomeçar . 

É isso aí , por hoje é só  e assim  a cada pequena atitude deles , me encho de esperança e consciência do poder de transformação da arte e do amor .

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