Total de visualizações de página

sábado, 9 de julho de 2011

Mais uma experiência emocionante


Antes do antigo diretor Pedro sair do CEDUC , ele havia me pedido pra trabalhar com um menino bastante difícil lá dentro . Ele falou que achava que as oportunidades deveriam ser dadas a quem não tinha realmente nenhuma perspectiva . Adorei a idéia , só que eu teria que trabalhar  sozinha com ele por causa dos inúmeros inimigos que ele tem lá dentro. Eu propus então que fizéssemos um trabalho diferente  , com carvão e telas . Então eu fui me apresentar a ele e falar que iríamos fazer um trabalho de artes . Ele falou que não sabia fazer nada disto . Mas quando falei que iríamos trabalhar sozinhos ele aceitou . E aí falei com a FUNDAC que trabalhando como voluntária gostaria que eles fornecessem o material para eu trabalhar com ele .  Demorei a passar a lista  e o menino estava ficando impaciente , então resolvi comprar  para começar e depois , quando o Governo do Estado providenciar me repõe. Então quarta feira dia 06/07/11 fui  mais cedo pro CEDUC , antes de pegar a minha turma , desci somente ele  para nossa primeira aula. Ele veio muito educado e afirmando que não sabia fazer isso . Enquanto pintava  começamos a conversar . Perguntei quantos anos  tinha  , (15 anos, e disse que estava preso desde os 13) , Achei ele extremamente triste e falei que o achava triste , ( falou que havia brigado com a mãe , que é a avozinha que o criou , e que havia dito pra ela não o visitar mais. E sempre que lembrava queria chorar ). Só sei que todos me falavam que ele era muito difícil e não se abria com ninguém . Enquanto  pintava  conseguiu expressar que queria ter mais dias de aula comigo , pediu pra pintar Padre Cícero .  Disse  que a psicóloga queria vê-lo , e ele respondeu que não queria ir porque não ia sair tão cedo de lá e  não adiantava nada . Não forcei , mas  no final da aula resolveu  ir ver a psicóloga e conseguiu se abrir com ela.
Fiquei com muita pena dele. Uma carência e tristeza enormes. Imagine um menino preso na idade em que nós mães ainda mandamos nossos filhos tomar banho , fazer dever , comer direito . E todas as outras coisas  para educar um ser humano. Percebi que a agressividade dele é um pedido de socorro . Ele não se  enxerga como alguém que se encaixa  nesse mundo normal , de gente de bem. Ele se vê como as pessoas o vêem , alguém que não tem nada a ganhar e realmente nada a perder . Como reconstruir alguém que não tem pra onde olhar ? Vocês não tem idéia de como um abraço faz diferença num local como este . Ele grita quando quer ser amado , repele quando quer  aproximar .
Pois bem , sigo eu , mais uma vez como o beija-flor no incêndio da floresta . Faço pouco , mas esse pouco é o que vou conseguindo .

ACIMA  O PRIMEIRO TRABALHO FEITO NA 1ª AULA . SERÁ QUE NÃO DÁ PRA PERCEBER A FRAGILIDADE DESTA ALMA NA FLUIDEZ  DA AQUARELA ?  (não meço aqui o crime que ele cometeu , na realidade não quis nem saber muito , mas percebo que sua fragilidade o transformou no que ele é hoje )

2 comentários:

  1. "Ele grita quando quer ser amado , repele quando quer aproximar".
    Lídia, isso diz tudo!!!!!!!
    Fico muito feliz em saber que vc existe pra eles!!! Como um beija-flor, podemos fazer pequenas diferenças.
    Um grande beijo e obrigada pelo trabalho que faz com eles, também é um compromisso meu!

    ResponderExcluir
  2. Obrigada querida ......Que lindo e sensível comentário ....é isso aí .. beijos

    ResponderExcluir