Umas coisas observei neste 1 ano de trabalho por lá : A maioria é filho de mães muito novas ,que não estão mais com os seus pais , que trabalhavam fora , deixando-os em casa sem uma supervisão. Muitos começaram usando cola , maconha . E depois cocaína . Daí partiam pra roubar ou traficar , simplesmente para sustentar o vicio . Nessa fase , ao perceberem o dinheiro fácil começam a usar roupas de marca . Poucos são os que já foram pro crack . Alguns percebem o perigo desta droga. Outra coisa que eles usam muito são comprimidos em alta dose , como rivotril e outros . Outra coisa que acho impressionante é que eles , muito novos tem “esposas”, meninas também muito novinhas e as vezes com filhos . Como não sou técnica , nem estatística nem estudiosa estou colocando aqui sentimentos e percepções deste novo mundo que estou descobrindo. Sei que muitos estudiosos e técnicos já sabem disto tudo. Aí penso :
- Será que menos pobreza mudaria este cenário ?
– Será que uma educação de qualidade melhoraria este cenário ?
- Será que apoio a usuários de droga melhorariam este cenário?
- Será que uma saúde preventiva melhoraria este cenário?
- Será que um sistema para recuperação de menores infratores mais eficiente melhoraria este cenário?
Não vou responder , quero pensar .
Outra percepção minha foi ver como os meninos usam uma lei que foi criada para recuperar o adolescente , como uma oportunidade de cometer atos ilícitos com punição mais branda . Em momento nenhum eles conseguem tomar consciência de que esta lei tem o objetivo de recuperá-los . E em outros momentos usam para assumir a “laranjada” (os crimes cometidos por maiores de idade ) dos outros. Em vários momentos coloco pra eles o valor e importância que esta lei tem pra eles . Este trabalho de conscientizá-los é um trabalho extremamente lento , de formiguinha mesmo. Aí vejo que tem que entrar o amor , carinho e dedicação .
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